FICHA TÉCNICA (ordem alfabética)

 

AGUALUSA, José Eduardo

Título: "O filho do vento"

Editora: Língua Geral, Rio de Janeiro, Brasil, 2006 

ISBN: 85-60160-03-5.

contos

                                               Ilustração: António Ole

Sinopse:

História inspirada num conto tradicional dos koi-san, um povo nómada do sul de África.

 

 

Título: "Um estranho em Goa"

Editor: Biblioteca Editores Independentes
ISBN: 9789727952014

 

 

 

 

 

Crítica da imprensa:

«Um Estranho em Goa é uma pequena maravilha. Assim entrei em Goa. Este livro mistura a literatura de viagens com uma aventura exótica, uma espécie de mistério que o autor não deslinda mas que lhe serve de ponto de apoio para mover personagens que enlaçam a Índia com Portugal e o Brasil. Goa e Luanda, Lisboa e Rio de Janeiro. À Goa de Agualusa, tão bem vista e descrita, tão bonita, e o Brasil dele, ou a melancolia angolana, enlaçam emoções e estabelecem uma pátria espiritual onde todos nós, portugueses da língua, nos reconhecemos. Sem carregar a prosa com pretensa literatice, comovendo sem ornamento, fazendo poesia ao de leve, abraçando a delicadeza e a estranheza do mundo, Agualusa fez-me viajar com palavras. Estou agradecida ao escritor.»
Clara Ferreira Alves, Expresso

«Uma das obras mais aclamadas e que serviu de redescoberta literária de Goa a milhares de leitores. Nela o autor angolano José Eduardo Agualusa desvenda, de forma misteriosa e singular, a identidade pós-colonial de Goa. Um livro-chave para compreender a Goa de hoje. »
Constantino Hermanns Xavier, SuperGoa

 

BATALHA, Fernando

 

Título" Angola arquitectura e história"

Editora Vega

ISBN-972-699-681-3

Obra constituída por dez estudos focando diversos aspectos do multíplice património de interesse cultural de Angola. Da arquitectura do reino do Congo, passando pela arquitectura tradicional de Luanda e urbanização de Angola, da descrição da Igreja de N.ª Sra. do Pópulo de Benguela, do Dondo e da Fortaleza de S. Fernando de Moçamedes, tudo nos é descrito de forma brilhante. Somos, assim, levados a percorrer um país rico em pormenores e histórias que permanecem na memória de muitos portugueses e angolanos que ficaram cativos de uma terra e de um continente.
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CARVALHO, Ruy Duarte de

Título"Os Papéis do Inglês"

Editor: Cotovia

ISBN: 9789728423919
Ano de Edição/ Reimpressão: 2000
N.º de Páginas: 188
Encadernação: Capa mole
Dimensões: 13 x 21 cm

 

Sinopse:

Uma ficção entrecortada por reflexões sociológicas, antropológicas e políticas. Um certo olhar sobre Angola, do autor que escreveu "Vou Lá Visitar Pastores".

 

 

CHAVES, Rita

Título: "A Formação do Romance Angolano"

 

 

 

 

 

 

CORREIA, Américo

Título: "O livro das adivinhas angolanas"

 

 

 

 

 

Sobre a obra, o Professor Doutor Salvato Trigo considerou o seguinte: «O Livro das Adivinhas Angolanas ajudar-nos-á, também, a compreender melhor a máxima aristotélica de que existem, sem dúvida, dois universos humanos: o sentir e o agir. De facto, as adivinhas ali recolhidas, provenientes de várias regiões etno-linguísticas angolanas, encerram fundamentos de aprendizagem e de desenvolvimento psicológico idênticos aos que encontramos na parémia portuguesa, não resultantes, na maioria dos casos, de migrações de etnemas, mas de um fundo comum patrimonial da raça humana. O autor deixa-o transparecer, aliás, não só no breve estudo introdutório à sua recolha mas também nos comentários e notas de rodapé com que fixa e complementa os textos das adivinhas, por vezes, muito próximas do provérbio».

 

 FARIA, Paulo Bandeira

Título: As Sete Estradinhas de Catete

Editora: Quidnovi

ISBN: 972- 8998- 64-6

 

 

 

 

As Sete Estradnhas de Catete é um romance de iniciação cuja acção decorre em Angola entre 1970 e 1975 e que descreve as dores e as maravilhas do crescimento de uma criança, filha de um oficial do exército português, na sociedade angolana colonial e pós-colonial. Com uma perspectiva absolutamente original na literatura portuguesa, foi considerado pela crítica “uma experiência emocional fortíssima” e louvado pelo testemunho histórico que constitui.

 

GONÇALVES, António Custódio

Título: Tradição e Modernidade na (Re)Construção de Angola.

Editora: Afrontamento

ISBN: 972-36-0648-8

Neste livro o autor não questiona uma Angola em desmonoramento, em fragmentação ou em revolta. Através de uma hábil articulação temporal, o autor, se nos faz mergulhar no passado desse país, fá-lo porém no sentido de nos confrontar com uma área geopolítica há muito situada perante os desafios da modernidade ocidental.

 

 LOPES, Carlos

Título: Roque Santeiro - Entre a Ficção e a Realidade

Editora Princípia
Data: 2007, Novembro
ISBN: 978-989-8131-01-0
N. Páginas: 272
Formato: 165 x 240cm

 

Sinopse:

" Roque Santeiro estuda o nascimento do mercado com todas as suas envolventes económicas, sociais e políticas da época e as razões que o fizeram prosperar.
"Vai descrevendo, com números e opiniões diversas à mistura, o bulício e a actividade desse formigueiro humano que, a um momento dado, tinha um peso muito grande na vida dos luandenses (...). O Roque é (...) um exemplo da criatividade do espírito angolano, da sua enorme habilidade na luta contra a carência e o sofrimento e, também, da capacidade de inventar dos luandenses (...)", escreve o apresentador da obra.

 

 MOUTINHO, José Viale

Título: Contos Populares de Angola

 

Capa mole. Landy 2000.
ISBN: 8587731181 / 85-87731-18-1
EAN: 9788587731180

 

 PEPETELA

Título: A geração da utopia 

Editor: Dom Quixote

ISBN: 9789722009980
Ano de Edição: 1997
N.º de Páginas: 320
Encadernação: Capa mole
Dimensões: 14 x 21 x 3 cm

 

Sinopse

A Geração da Utopia é o retrato desapiedado dos angolanos a quem ficou a dever-se a epopeia das lutas pela independência e da guerra civil que logo lhe sucedeu, das glórias e das sombras que marcaram esses longos anos de permanente conflito, e do descontentamento e da indiferença que insidiosamente se tornou o estigma de tantos desses homens e mulheres que fizeram, apesar de tudo, um novo país.
Internacionalmente conhecido como uma dsa mais representativas figuras das letras angolanas, Pepetela é autor de uma obra já extensa, de entre a qual se destacam, para além do presente romance, Muana Puó, Mayombe, O Cão e os Caluandas, Yaka e Lueji, todos editados nesta mesma colecção.

 

 

PEPETELA

Título: " Jaime Bunda e a morte do americano"

Editora:Dom Quixote 2003.

ISBN: 9722025279 / 972-20-2527-9

 

 

 

Sinópse:

«Então não havia o Afeganistão, a Somália, o Irão ou a Colômbia, países ideais para um americano morrer de morte matada, sem levantar muitas comoções nem pasmos, pois eram territórios já habituados a serem tratados de promotores e antros de horripilantes antiamericanismos ? Aí tanto fazia, mais um menos um, não provocava qualquer crise mundial.
Porque iria logo escolher a pacífica Benguela, onde, de memória de gente, nunca nenhum americano tinha morrido, nem mesmo quando os ianques andaram a apoiar, abertamente ou de caxexe, os famigerados terroristas, linguagem oficial de um dos lados, lídimos e heróicos defensores da democracia no dizer do outro lado?
Mas foi isso que aconteceu, o engenheiro gringo bateu subitamente a caçoleta na pachorrenta cidade das acácias rubras, para grande tristeza e preocupação dos governantes, locais e nacionais, e perante a indiferença da maioria da população, ocupada na legítima e cada vez mais problemática azáfama de sobreviver.»

 

 

PIMENTA, Fernando Tavares 

 

 

Título: Angola no percurso de um nacionalista

Edições Afrontamento

 ISBN: 972-36-0831-1;

 

 

SECO, Paulo

Título: "...a nudez cristalina de Susana"

 

 

 

«A nudez cristalina de Susana é um romance que versa sobre um chamamento para uma reconciliação do ser humano com o ambiente que se insere e cumpre os desígnios da própria vida. (...) Ainda existe gente (Susana é toda essa gente) capaz de viver em perfeita comunhão com a natureza e prenhe de humanidade».

SECO, Paulo

Título: "Laços verticais"

Editora: Papiro, 2007

ISBN: 989636018-9

 

 

Poesia

Mundo esquecido numa viagem para fronteiras igualmente esquecidas, além de perdidas na imensidão de um Universo que se recusa cada vez mais a ser infinito, o de Paulo Seco, que aqui celebramos, usa e abusa de um verbo que se quer oração aos deuses de todas as humanas fraquezas.

 

 

TALA, João

Título: A forma dos desejos

 

 

 

 

«A Forma dos Desejos» veio impor novas exigências à mesa da leitura em relação aos novos autores. Uma das exigências será o critério de qualidade estética literária.(...) , este livro possui todos os ingredientes que compõem a obra verdadeiramente literária: a ousadia da mensagem, a imagética surrealista e vanguardista que procura superar o já criado, ou pelo menos, ser diferente trazendo algo de novo, a elaboração conceptual dentro dum diversificado figurino».

 

TAVARES, Ana Paula

 Título: "Manual Para Amantes Desesperados"

Editorial Caminho 

ISBN: 978-972-21-1850-7 

 

 

Sinopse: Este Manual Para Amantes Desesperados começa por abrir portas ao amor. Mas logo se levanta a dúvida: quem é o amante desesperado? Será aquele a quem se dirige o sujeito do poema? Rapidamente, o destinatário textual se torna o centro do poder, aquele que abandona, que magoa, que provoca a memória e o sofrimento. Finalmente, o amante é omitido num ambiente feminino e matricial, de tradições, conselhos, silêncios e desejos, palavras.

 

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 VIEIRA, José Luandino

Título: "A cidade e a infância"

Editora: Caminho

ISBN: 9789722118958
1.ª edição: Outubro 2007

 

Sinópse:

A Cidade e a Infância é um conjunto de histórias de infância e retrata o ambiente difícil que se vive nos musseques, onde condições de vida violentas empurram jovens para a prostituição e crianças para a fome, onde o racismo e a humilhação se inscrevem em novos e velhos…

VIEIRA, José Luandino

Título: "A Guerra dos Fazedores de Chuva com os Caçadores de Nuvens
Guerra para Crianças"

Editora: Caminho
ISBN: 972-21-1839-0
1.ª edição: Novembro 2006

Sinópse:

Uma estória de guerras, para crianças. Estória e não história, porque a narrativa é como um mussosso tradicional angolano. E as guerras são o confronto da natureza com a tecnologia. Ou dos donos da terra com os de fora da terra. Ou dos invadidos com os invasores. Dos oprimidos com os opressores.
A solução deste conflito vem da natureza quando os jacarés tomam partido. Ouçamos, no final, a fala do grande chefe Kibaia: «Disse: Só as crianças podem ser ao mesmo tempo vítima, testemunha, juíz e carrasco;».
E, como uso em fecho de narrativa para crianças, uma moral: na dúvida, sempre a favor dos oprimidos

 

VIEIRA, José Luandino

Título: "A Vida Verdadeira de Domingos Xavier"

Editora: Caminho

ISBN: 9789722115605


1.ª edição: Setembro 2003

Sinópse:

«De todos os cantos da prisão chegaram vultos que se sentaram, silenciosos, à volta do irmão a morrer. Um moço tirou seu velho casaco de fardo e cobriu com ele o peito pisado e rebentado do tractorista. Só a cara estava agora descoberta, banhada na luz da lua entrando na janela. O velho bêbado continuou a choramingar no seu canto. A lua espreitava nas frinchas, nas janelas altas, e veio cobrir na cara serena e tranquila de Domingos Xavier. O sangue foi correndo, noite fora, cada vez com mais devagar, respiração cada vez mais fraca, a cara esmagada virando naquela cor esbranquiçada da morte. O moço que estava espreitar atrás de várias cabeças arriscou mesmo baixinho:
- Aiuê! Parece é, tá dormir ainda...
Verdade mesmo, Domingos Xavier dormia para os seus irmãos, feliz em sua morte, de madrugada, com a luz da lua da sua terra a sair embora para contar depois, todas as noites, a história de Domingos Xavier.»

Domingos António Xavier, o tractorista, nunca fizera mal a ninguém. Só queria o bem do seu povo e da sua terra. E por lhes querer bem não falou os assuntos do seu povo nem se vendeu. E por lhes querer bem o mataram. E por isso, no dia da sua morte, ele começou a sua vida de verdade no coração do povo angolano.

VIEIRA, José Luandino

Título: "De rios velhos e guerrilheiros - o livro dos rios"

Editora: Caminho, 2006

ISBN: 978-972-21-1828-6

literarura/ficção/romance

 

Sinópse:

Primeiro volume de uma trilogia subordinada ao título De Rios Velhos e Guerrilheiros, nele reencontramos a «voz» inconfundível do autor na quebra da sintaxe convencional, na presença de neologismos, na incorporação de expressões em quimbundo, para mencionarmos apenas algumas das marcas essenciais da escrita e da obra de José Luandino Vieira. Contenção e transbordamento – o rio e as suas margens – reflectem-se nestas páginas em que se projecta a história recente de Angola, mas não só. É também de outras crises que O Livro dos Rios se ocupa, abismos de contemporaneidade e problemas que desde tempos imemoriais têm envolvido o homem e mobilizado os grandes escritores.

«

VIEIRA, José Luandino

Título: "João Vêncio: os seus amores"

Editora: Caminho

ISBN: 972-21-1628-2
1.ª edição: Junho 2004

 

Mas é tempo, cremos, de apresentar ao leitor João Vêncio, aliás, Juvêncio Plínio do Amaral, João Capitão, Francisco do Espírito Santo, ou ainda "Aliás", na feliz expressão de um juíz baralhado pela multiplicidade de disfarces do protagonista da nossa estória. Logo aqui começam as dificuldades. Temos, então, uma personagem que muda de nome, que, aliás, gosta de mudar de nome, ou, muito simplesmente, de mudar. Tipo ambíguo, a escapar-nos permanentemente, este João Vêncio. Aqui, Luandino Vieira, o autor da estória, estaria a defender-nos da tentação de julgarmos também nós, leitores, como os juízes fizeram, o pobre diabo de João Vêncio, de fazermos uma leitura ambígua da personagem. Estamos perante um ser contraditório, que tanto suscita a nossa repulsa como uma irreprimível simpatia. Um ser sinuoso, que nos escapa, que não agarramos, não prendemos numa leitura esquemática. O motivo da mudança — o ele amar, afinal, mais que o mudar de nome, de casa, de rua, de sítio, de quarto, de bigode, de mulher, de vida, a mudança em si — prende-se, de algum modo, na narração das suas atribulações, ao motivo do amor do amor.»

Do prefácio

 

VIEIRA, José Luandino

Título: "LUUANDA"

Editora: Caminho

ISBN: 972-21-1651-7
1.ª edição: Novembro 2004

 

"[...] A questão da fome, a questão da repressão, a questão de surgirem personagens de camadas e classes sociais que, até aí, eram segregadas da literatura, parece-me (hoje, a esta distância, tanto quanto me vejo, até como personagem do meu próprio destino), parecem-me correctas... Quando escrevi o Luuanda a minha preocupação era ser o mais fiel possível àquela realidade. Se a fome, a exploração, o desemprego, surgem com muita evidência, não se trata de uma atitude preconcebida, de uma atitude consciente. É porque isso era — digamos assim — o aquário onde meus personagens e eu circulávamos... A questão da linguagem já não é tão inocente assim... Muito embora não pretendesse fazer uma cópia fiel da linguagem utilizada pelas camadas populares luandenses. Tenho que reconhecer — para o caso do Luuanda — que em certa altura eu achei até que teria um significado político: demonstrar que, na própria língua do colonizador, a nossa diferença cultural nos permitia escrever de modo que era difícil, ao próprio colonizador, entender o nosso código linguístico. Mas essa parte deliberada na criação de uma linguagem é apenas uma excrescência. Porque o meu intuito era (não consegui, com certeza!) criar uma linguagem ao nível literário a partir dos mesmos processos e das estruturas linguísticas bantas da região de Luanda. Que fosse homóloga da linguagem popular e não a sua cópia ou a sua reprodução [...]."

(Excerto de uma entrevista dada por José Luandino Vieira
a Pires Laranjeira, em 1994, para a Universidade Aberta)

 

VIEIRA, José Luandino

Título: "Lourentinho Dona Antónia de Sousa & eu"  

Editora: Caminho, 2006

ISBN: 972-21-1815-3

 

 

Sinópse:

Duas novelas compõem este livro - «Kinaxixi Kiami» e «Estória de família (Dona Antónia de Sousa Neto)» -, duas novelas que se passam nos últimos anos do colonialismo em Angola e que mostram duas faces a um tempo distintas e interligadas: a do interior do país e a da capital. A primeira apresenta-nos uma natureza pródiga que o homem-colono tenta em vão dominar (daí a tonalidade ecológica, elemento novo na literatura angolana); a segunda centra-se num almoço de pedido de casamento, óptima oportunidade para ilustrar a facúndia patrioteira do anfitrião luandense, amigo dos agentes da PIDE...
Estes textos, que datam de 1971 e 1972, foram os últimos que Luandino Vieira produziu no Campo de Concentração do Tarrafal. Correspondem à fase irradiante da sua escrita, em que o leitor, como diante de um quadro de Brueghel, se sente investido de um poder de recomposição e, até, de recriação – um verdadeiro deleite.


 

VIEIRA, José Luandino

Título: "MACANDUMBA"

Editora: Caminho

ISBN: 972-21-1728-9
1.ª edição: Junho 2005

 

Sinopse:

Embora privilegiando o ambiente e as gentes dos musseques, Luandino - através das "andanças" de Pedro Caliota, personagem deliciosa - espraia o olhar pela sua cidade e, numa prosa poética onde são nítidas as influências da oralidade, as interrogações amargas, a ironia, narra «inúmeras e grandes confusões», isto é: «macandumba».

             

VIEIRA, José Luandino

Título: "No antigamente, na vida"

Editora: Caminho

ISBN: 972-21-1684-3
1.ª edição: Março 2005

Por detrás do espelho, olho amarelo da vida, as crianças deslizam e crescem em silêncio, mestres na arte de praticar o bem e exercer o mal. Correm junto ao chão a espantar a vida, a espantar-se da vida e "levantam os olhos do mundo mínimo" para, no oco do silêncio, nos revelarem o Kinaxixi como centro do mundo, lugar íntimo e secreto de celebração da vida e da morte, por onde todos já passámos um dia, um momento, uma leitura.
Aqui, José Luandino Vieira multiplica, em três histórias que se continuam umas nas outras, toda a "sabença" com tempo de raiz e tempo de semente e que não é senão a escrita de que é mestre absoluto. Um inventário do riso cresce nos voos das vozes a que cada palavra acrescenta um rasto de silêncio, acelera o tempo do discurso e põe em germinação uma arte poética em cada frase: "as flores fervem as cores". Rente às palavras e nos limites da água os "surdos corredores da memória" rebentam nas mãos o mapa da cidade vivida, o alumbramento deste antigamente na escrita.

Ana Paula Tavares

 

 VIEIRA, José Luandino

Título: "Nós os do Mukulusu

Editora: Caminho

ISBN: 972-21-1616-9
1.ª edição: Abril 2004

 

Sinopse:

Escrito em 1967 no campo de concentração do Tarrafal (crismado de "Campo de Trabalho de Chão Bom") em apenas uma semana — "de um só jacto", para usar as palavras do próprio autor —, Nós, os do Makulusu continua a ser a obra de José Luandino Vieira mais complexa no seu processo de construção de uma linguagem literária com base na linguagem popular de Luanda e das interferências entre as línguas portuguesa e quimbunda. A isso não será certamente alheio o facto de, a par do fluxo do passado — uma constante em todos os seus livros —, o futuro ser também chamado à narrativa, obviamente sob forma prospectiva. Uma narrativa cujo sujeito, interrogando-se até à última linha, é afinal o espelho de uma geração frente à necessidade histórica de uma guerra de libertação — individual e colectiva — e a que coube questionar o passado e partir à invenção do futuro. Terminando por uma interrogação face a esse futuro, o romance mantém-se, hoje, mais actual que no momento da escrita. A resposta à pergunta final continua em aberto.


 

 VIEIRA, José Luandino

Título: "Nosso musseque"

Editora: Caminho

ISBN: 972-21-1543-X

1.ª edição: Maio 2003

Sinópse:

Nosso Musseque, escrito na prisão da PIDE em Luanda entre Dezembro de 1961 e Abril de 1962, manteve-se até hoje inédito. A sua publicação agora, 40 anos depois de ter sido escrito, revela um Luandino Vieira no seu melhor: um retrato do musseque luandense, retrato físico, paisagístico e humano, que só um grande escritor pode conseguir. A galeria de figuras humanas que o romance nos apresenta — Carmindinha, a jovem costureira; Capitão Abano, marinheiro de cabotagem; sô Augusto, o electricista, derrotado pela vida e convencido de que a pode derrotar com o seu famoso livro; Albertina, a prostituta branca do musseque, que vende e dá amor às mãos largas; Zito, o endiabrado conquistador compulsivo; e tantos, tantos outros, constituem um vasto mundo que, pela arte com que está apresentado neste livro, fascina o leitor e o arrasta irremediavelmente para dentro de si.
Nosso Musseque é, repetimos, Luandino Vieira no seu melhor.


 

 VIEIRA, José Luandino

Título: "Velhas estórias"

Editora: Caminho

ISBN: 972-21-1788-2
1.ª edição: Abril 2006

 

Sinópse:
«A vida é um rio de complexas águas», afirma um personagem de Luandino. As suas estórias – as velhas, as de dentro, as todas – têm essa força fluvial que é poética e torrencial, em fuga do fácil, do supérfluo.
Estas «estórias», sempre novas porque velhas, lembram um quintal angolano onde desfilam os códigos e as dinâmicas de convívio, mas também os trejeitos e os cheiros que só quem soube escutar a realidade pôde assim vir a recriá-la.
Profundo peregrino de si próprio, Luandino Vieira faz o que tem de ser feito: nos seus livros renasce a literatura angolana.

 

VIEIRA, José Luandino

Título: Vidas Novas

Editora: Caminho

ISBN: 978-972-21-1849-1
1.ª edição: Fevereiro 2007

 

Sinópse:

As estórias aqui reunidas são independentes umas das outras, mas, seja pela datação a elas aposta, seja por seus elos imagísticos e temáticos, formam uma espécie de sólido bloco narrativo, no qual cada novo conto amplia o(s) anterior(es), criando uma espécie de vórtice que impacta o imaginário do leitor, do princípio ao fim da obra. A invariante espacial, marca de Luandino, é dada pela cidade de Luanda e, nela, pelo cotidiano vivido nos seus musseques. Mais do que lugar de privação, estes se fazem um símbolo de união, cumplicidade e resistência nos tempos de guerra cobertos pelos textos. Dos musseques, o leitor é levado às prisões, nas quais corpos humanos, torturados e sangrantes, se iluminan pela luz da solidariedade e da confiança na construção do futuro.
O escritor, que nos «põe as estórias», no melhor estilo da oralidade por ele reinventada e com perfeita consciência de seu labor estético, organiza, com uma linguagem revolucionária, a festa da esperança nos «tempos bons que vêm por aí». Tal festa se anuncia, sobretudo, no olhar sereno e confiante dos «heróis» cantados, mais do que contados nos textos. Por tudo isso, Vidas Novas é obra que vai muito além da contingência histórica na qual foi escrita. Ela nos ensina a ter fé na resistência do «fio da vida», semente sempre disposta a renascer.

Laura Cavalcante Padilha
(Professora da Universidade Federal Fluminense)